A discussão é bastante antiga. Quem detém o nome, a propriedade de “Igreja de Jesus Cristo”? Calvino, Wesley, os católicos, os protestantes...? Cada um deles teve papel decisivo em seus respectivos países.
Para início de conversa, alguns dos mencionados têm as suas convicções diretamente opostas entre si.
Lembre-se em primeiro lugar de que a Igreja de Cristo não tem rótulo.
Sabe por quê? Porque ela é espiritual e está, assim, num plano que, às vezes, transcende o nosso próprio entendimento e, por isso, deveria ser representada pelo pensamento unido de todas as denominações – as que confiam na salvação através do sangue de Jesus, o que para mim é condição básica.
A grande discussão de Lutero com os religiosos de seu tempo, tendo por tema central 'as indulgências', era exatamente essa: “Vocês estão agindo como se fossem os proprietários das verdades eternas”. Esse foi o estopim que “pôs fogo” na questão.
Depois dele, muitos apareceram dizendo-se herdeiros do título de verdadeira igreja de Cristo. Por exemplo, os jesuítas e os chefes da Inquisição fizeram o que fizeram no mundo, em nome de Deus (“Ad Majorem Dei Gloriam” - "Para a Maior Glória de Deus").
Com o acontecimento das igrejas chamadas avivadas, o problema se agravou. Hoje temos diversas, mas, devemos entender que todas as igrejas que aceitam a vinda de Jesus para nos salvar, e não como mais um profeta, são avivadas, porque enxergam um mundo espiritual diferenciado. Mesmo assim algumas fazem referência a fatos bíblicos no intuito de convencer os seus seguidores de que de fato são a legítima igreja de Cristo, algumas até se intitulam “Igreja Evangélica”, como se todas as outras não o fossem.
Em alguns casos, as “chamadas” criadas pelos dirigentes para atraírem fiéis não passam de propaganda: “Aqui você encontra a verdade”, “Receba a verdadeira bênção”, “Expulsamos demônios”, "Culto de Descarrego" (expressão própria do candomblé e da magia negra), etc.
Mesmo crendices, até pouco tempo só usadas por não cristãos ou por pessoas ligadas às magias e ao fetichismo, estão sendo disseminadas nos meios evangélicos, como “acender uma vela de sete dias”, “comprar o vidrinho com óleo abençoado de Jerusalém”, ou “adquirir um pedacinho da cruz de Cristo”.
Algumas delas dizem aos fiéis que se quiserem a verdadeira bênção, devem ir orar, por exemplo, no Pico do Jaraguá, a determinada hora do dia ou da noite. Só que a Bíblia sabiamente registrou a passagem em que àquela mulher levantou idêntica questão no livro de João 4 versículos 20,21,23e 24 - “...Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o pai... Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em espírito e em verdade; porque o pai procura a tais que assim o adorem. Deus é espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”.
E por falar nisso, parece que o círculo – ou o circo – do comércio em torno do nome de Deus se completa.
Tudo começou com a entrega de animais, determinada pelo próprio Deus, que os antigos judeus faziam aos sacerdotes para sacrifício (Êxodo, capítulos 29 e 30) ou para a própria permanência daqueles (Levítico 2:3, 10).
Jesus um dia teve que expulsar os camelôs de dentro e das portas do templo. Então bradou: "Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Vocês, porém, a fazem covil de salteadores" (Mateus 21:13).
A partir daí, muitas vezes tentaram fazer comércio com um tema que deveria ser puramente espiritual.
Quando Pedro andava pelos caminhos do evangelho nascente, certo dia fez um milagre e um tal Simão, que era mágico, se converteu (Atos 8:17-23). Vendo este que pela imposição das mãos dos apóstolos aconteciam os sinais, ofereceu-lhes dinheiro para ter também esse poder. E Pedro recusou tal oferta: Você não tem parte nem sorte neste ministério, porque o seu coração não é reto diante de Deus.
O episódio das indulgências, que acompanhou a igreja romana através dos séculos, foi a causa principal da revolução ocorrida no seio da Igreja e que, com Lutero, deu início às igrejas evangélicas (Calvino na França, Melanchton na Alemanha, Wesley na Inglaterra, Savonarola na Itália e outros).
Hoje, portanto, fecha-se o círculo, visto que no meio evangélico tem se disseminado a idéia de que os fiéis ‘devem comprar’, devem ‘contribuir’, mesmo que, por dar o dinheirinho da condução, tenham de voltar para casa a pé. E a explicação é que ‘é dando que se recebe’ e que o que você der voltará multiplicado, sem dúvida, bem de acordo com as promessas de Deus...
Caro internauta, não se trata de discutir a Igreja como instituição bíblica, visto que o próprio Cristo a fundou. Quando da ascensão aos céus, Jesus ordenou: “Permaneçam no templo em Jerusalém até que do alto sejam revestidos do poder”. Era a Igreja que se iniciava. Também há diversos textos que afirmam que a Igreja é o corpo do qual Jesus é a cabeça (Efésios 1:22, Colossenses 1:18).
Assim, meu caro, examine tudo e retenha o que é bom e verdadeiro (I Tessalonicenses 5:21).
Não espere nos homens, especialmente quando são mercantilistas ou mercenários, espere em Jesus.
E deste modo vemos que ninguém deve deter o nome de dono da igreja e/ou dos adoradores a não o próprio Deus.
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