Não faz muito tempo, a agência CUBOCC capitaneou uma ação entre algumas blogueiras para lançar ao mundo a grande sacada da Rexona de inverter a ordem dos fatores do desodorante Roll. Sob a trilha de Sweet about me, da australiana Gabriela Cilme no comercial que ilustrava o post, as blogueiras contavam uma história que virou a sua vida de cabeça pra baixo e incentivavam as leitoras a relatarem suas experiências e concorrerem a kits bacanas.
Certo dia, por acaso, esbarrei no youtube em alguns vídeos da Mara-Maravilha e foi inevitável não lembrar dessa campanha. A maneira como algumas pessoas dão uma guinada na sua carreira e, conseqüentemente, na sua vida, depois que são abandonados ou pela fama ou pelo dinheiro ou, não raras as vezes, pelos dois. E o que é surpreendente: encontram, o que conceituam de felicidade. Quando a casa começa a cair, para muitos, a solução é procurar novas maneiras de enfrentar velhos problemas e tentar, de alguma forma, preencher o vazio deixado pelo dinheiro fácil, drogas, e, no caso dos homens, mulheres gostosas, sexo barato, cerveja gelada de graça e futevôlei na casa do Romário: a Igreja. É lá, na casa do Senhor que, em geral, conhecem alguns crentes bacanas que se tornam a porta de entrada para a fantástica fábrica de cantores Gospel.
E, quando falo em ‘fantástica’ não se trata de ironia e nem apenas força de expressão.
Para se ter uma idéia da fatia que este mercado representa, a ExpoCristã, maior feira de produtos gospel da América latina, que ocorre em São Paulo, segundo informações do próprio site, este ano, reuniu mais de 140 mil pessoas e movimentou cerca de R$100 milhões nos seis dias de evento. Em 2002, uma reportagem da Revista Veja sobre o mundo evangélico informava que, no Brasil a indústria gospel faturava anualmente R$ 200 milhões. Três anos depois, este número cresceu cinco vezes e despertou o interesse de gravadoras como a Sony que vê nesse segmento, com perdão do trocadinho, a salvação para o mercado fonográfico.
“A indústria de produtos e serviços para cristãos movimenta por ano mais de 1 bilhão, num país onde mais de 30 milhões são evangélicos, com projeção de crescimento para 50 milhões até 2020. No total, são mais de 200 mil pontos de pregação (igrejas) no país sendo que nascem mais de 10 mil novas igrejas a cada ano com mais de 300 mil pastores e líderes, além de um número aproximado de 500 escolas de ensino teológico.” (Sony)
Ou seja, todos querem uma fatia desse bolo de-li-ci-o-so. Embora a fortaleza do mercado gospel esteja em nomes de tradicionais celebridades cristãs como Aline Barros,
Cassiane
, Fernanda Brum
, Bruna Karla
, assim como Deus, este segmento não faz acepção de pessoas e deixa vir a ele todos que estão cansados de ser sub-celebridades, vivendo apenas do espectro do que já foram. A lista é enorme. Incontável até. Inclui apresentadoras de televisão, modelos, atrizes pornô, integrante de boyband, pagodeiros e toda variação artística, seja ela no sentido real ou irônico da palavra.
Aline Barros
As igrejas se transformaram em locais para verdadeiros shows e dão subsídios para que seus astros se tornem cada vez mais profissionais – o que eu não critico. Aline Barros, por exemplo, aos 30 anos possui em sua discografia 25 álbuns gospel, incluindo infantis e edição em espanhol. Já ganhou discos de ouro, platina, platina duplo e até de diamante, além de três Grammy Latino (2004, 2006 e 2007). Ou seja, o Papa já deixou de ser pop há muito tempo e deixou o caminho aberto para quem ousou passar por ele.
Falando nisso…
Dois bons exemplos:
Waguinho (ex-Os Morenos)
Waguinho
integrou um dos mais conceituados grupos da Era Pagode. Por conta disso, engrenou diversos sucessos que, certamente você já ouviu falar (se duvidar, até já cantou) tais como Marrom-Bombom e Tá afim de sambar?. Em 2000, depois de dez anos a frente do bando, decidiu largar tudo e se converteu, ao mesmo tempo em que afundava sua carreira solo em quatro álbuns de pagode. De 2000 a 2004, um dos acontecimentos mais relevantes da sua carreira foi o envolvimento com a moça da banheira do Gugu, Solange Gomes com quem teve uma filha. Pelo não pagamento de pensão, em 2004, Solange colocou Waguinho atrás das grades o que deu aquele empurrãozinho para que ele se tornasse cristão de fato. site gospel do Waguinho
Nill (ex-Dominó)
Nill, segundo vocalista do grupo, virou pastor. Não só isso: o ex-dominó é professor de Teologia, radialista, colunista, escritor, advogado, Blogueiro, e ex-apresentador de programa gospel de televisão. Reservado, não encontrei informações sobre sua família, se tem filhos ou mesmo se algiuma vez já foi casado (Nill, se estiver lendo este post, que tal matar essa minha curiosidade, ãh?).
Aline Barros é realmente um fenômeno… Conseguiu até emplacar música em novela da 8 (Duas Caras) e um lançamento pela Som Livre.
E por falar de música gospel, Ricardo Feltrin comentou sobre o lançamento do novo disco do Michael W. Simth na sua coluna do UOL recentemente.
Por conta da minha família, em casa sempre chega muito material em música gospel, mas infelizmente são poucos que realmente tem talento, ou pelo menos, fazem um trabalho bem feito.
Tudo isso sem falar do caso do Moysés da Line Records que mantém uma dupla-personalidade só pra não desagradar a opinião-pública “religosa” e a alta cúpula da IURD.
Pra mim, é uma pena. Faz com que a música gospel brasileira só caia num mar-de-lama e perca legitimidade. Ainda bem que alguns artistas vivem longe disso e não rogam pragas e encostos pra quem simplesmente não gosta deles.
November 13th, 2008 at 19:25
Eu desconhecia essa do filho ‘pródigo’ do Edir Macedo. Existem bandas gospel muito boas tanto nacionais quanto internacionais. Conheço algumas, embora não me torne uma expert no assunto. Ótimas as informações que acrescentaste.
Bjão Cler! Ótimo post!